quinta-feira, 6 de março de 2008

Noches de Copa

Note Épica no Maracanã

O Maracanã ferveu com o Pó-de-Arroz.

Ungidos pelos deuses do futebol com 90 minutos de perfeição, os jogadores do Fluminense desfilaram sua categoria naquele que era chamado de “Maior do Mundo”. Na noite de ontem, jogou-se a melhor partida deste time de futebol no últimos 20 anos. Algo assim foi visto naquela tarde de 1984 no Morumbi, contra o Corinthians.

Se confirmar a atuação não tenham dúvidas, será o Time do Ano.

Com direito à obra de arte e um show de uma torcida em êxtase, o Fluminense massacrou o Arsenal, com um volume de jogo avassalador e um fair-play que não encontra paralelo em time que só utilizam o recusro pobre da falta como o São Paulo, Botafogo e Flamengo, tão incensados pela mídia.

Ontem, no maracanã estavam Ximbica, Telê, Preguinho, o Careca, a Condessa das narinas de cadáver, Gravatinha, Sobrenatural de Almeida (que participou ativamente dos gols) e o imortal Nelson. Vivos e mortos cantaram em altos brados sua paixão pelo tricolor, chorando de felicidade com gols de antologia.

O que foi o segundo gol do Dodô? Uma explosão de técnica pura? Um canhonaço? Uma pintura expressionista? Sua atuação foi um primor colossal. Criativamente foi excepcionalíssimo, uma jóia do baú de tesouros do futebol.

Como ressaltar suficientemente a atuação de Conca? Marcou, fechou espaços, tocou, participou, lançou, virou o jogo, correu e comandou o time no ataque à jugular do Arsenal.

Um Thiago Neves que usa a perna esquerda qual um taco de bilhar.

Um Washington fundamental fazendo o pivô na grande área.

Gabriel voltando aos melhores dias, com dribles, objetividade e categoria. Um toque aveludado para guardar a bola no fundo das redes.

Senhores, não houve quem jogasse sequer uma partida medíocre na noite de ontem.

A dupla de zaga, a melhor do Brasil, em nenhum momento deixou a menor dúvida sobre quem mandava na área.
Thiago é um Monstro da Bola e Luiz Alberto um xerife. O líder psicológico deste time.

Arouca recuperou sua eficiência de dias melhores e até o temerário Ygor jogou uma partida exemplar, com um sentido de cobertura que não conhecíamos. Jr. César, ocupando espaços atrás e sempre uma válvula de escape em velocidade, foi importante para criar a jogada que acalmou o Fluminense no jogo e permitiu, aos 25 minutos de jogo, começar a construir a goleada épica.

Fernando Henrique, assistiu de camarote a um jogo histórico, dizendo presente na única vez em que foi chamado.

Cícero se torna mais importante a cada jogo. Sua bola venenosa cumpriu um caminho tortuoso até morrer no fundo das redes e no fundo da garganta dos tricolores. O ponto final digno da goleada.

Renato Gaúcho, com sua proposta ofensiva, desta vez brilhou. Colocou um time com o espírito perfeito para uma Libertadores, acertou nas substituições e hoje vai dormir um técnico melhor.

Um time honrado e brioso. É o que no fundo queríamos ver. A torcida que ontem cantou em delírio os 90 minutos já sabia que contava com um time que mescla experiência e juventude, é tecnicamente excelente mas que não havia provado que tinha brios para vestir o Manto Tricolor. Ontem provou.

Senhores, a estrada que leva à Yokohama está aberta. Se um time pode percorrê-la, este time é o Fluminense.

Saudações Tricolores